Áudios do Programa de Índio – primeiro no Brasil a colocar povos indígenas como protagonistas na mídia eletrônica, que era transmitido pela rádio USP nos anos 80 – agora estão acessíveis na Internet. A iniciativa é do projeto “Programa de Índio – História e histórias”, idealizado pela Ikor – Projetos Culturais e Artísticos O acervo conta com 200 programas – que foram recuperados e digitalizados. Este material constitui a primeira experiência radiofônica de povos indígenas do Brasil.
Com a publicação do acervo na Internet a sociedade brasileira poderá ouvir novamente vozes que marcaram a história do movimento indígena no país. O site do projeto é www.programadeindio.org. Mais detalhes sobre esta experiência podem ser solicitados pelo e-mail contato@programadeindio.org.
Índios de diversas aldeias fazem hoje (4ª) um protesto organizado nos três estados do Sul para demonstrar repúdio a Proposta de Emenda Constitucional, uma PEC, que tira da Fundação Nacional do Índio, a Funai, a responsabilidade de demarcação de terras indígenas e passa para o Legislativo. Os índios temem a partidarização do tema, além saberem que serão prejudicados, já que todas as Assembléias Legislativas no país são dominadas pelos interesses de fazendeiros e madeireiros.
No Paraná, os índios bloquearam a rodovia BR-277 no município de Laranjeiras do Sul, região Oeste, ocupam a praça de pedágio de Mauá da Serra, no Norte, e impedem a entrada de funcionários na sede da Funai, no centro de Curitiba. Desde o início da manhã, um grupo de 150 índios, das reservas de Pinhalzinho, Porto Velho, São Jerônimo da Serra e Apucaraninha, tomou o controle da praça de pedágio da concessionária CCR Rodonorte e liberou as cancelas na BR-376, perto da de Mauá da Serra. Outros 150 índios bloquearam as duas pistas da BR-277 próximas a Larangeiras do Sul, no trecho que liga Guarapuava a Cascavel.
A Companhia Paranaense de Energia Elétrica, a Copel, tem até a semana que vem para depositar R$ 1,8 milhão para a aldeia indígena Barão de Antonina, em São Jerônimo da Serra, no norte do Paraná. Este foi o acerto entre a empresa e os índios caigangues, que mantiveram reféns dois funcionários terceirizados e um antropólogo da companhia durante quatro dias.
No acordo realizado ontem (3ª), a Copel se comprometeu a pagar a indenização para os índios em até cinco dias úteis. A aldeia pedia mais de R$ 3,5 milhões pela utilização de cerca de dez quilômetros da reserva com 14 torres de transmissão de energia há mais de 40 anos. No encontro, foi assinado ainda um termo de ajustamento de conduta, em que deverão ser definidas formas de a empresa compensar a comunidade indígena pelos impactos econômicos, culturais e ambientais.
Já estão em liberdade os dois funcionários terceirizados da Copel e um antropólogo mantidos como reféns pelos índios da aldeia Barão de Antonina, em São Jerônimo da Serra, Norte do Paraná. Eles foram soltos do cárcere privado depois que funcionários da Funai estiveram na aldeia.
Os três viraram reféns desde quinta-feira da semana passada porque os índios queriam reajustar o valor que a Copel paga à aldeia por manter 14 torres de transmissão no local. José Almir Torres Quintanilha e Valmiron Torres Quintanilha e o antropólogo Alexandre Húngaro foram libertados ontem (2ª) à noite.
Hoje (3º) à tarde deve ser assinado o termo de ajustamento de conduta entre os índios e a Copela para definir o valor a ser pago de indenização. A reunião será em um dos anfiteatros da Universidade Estadual de Londrina, a UEL. Os índios pedem R$ 3,5 milhões de indenização pelo impacto ambiental causado pela linha de transmissão. A empresa quer pagar pouco mais de R$ 1 milhão.