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Café com Bolinho, nova coluna de Eduardo Corrêa

QUEM MANDA AQUI, PORRA? -  Eu nem trabalho no comércio e perdi as contas de quantas vezes ouvi a frase “o cliente tem sempre razão”. Nós sabemos que na prática isso não funciona, afinal, se fosse verdade as filas no PROCON e as horas perdidas na tentativa de entrar em contato com centrais de atendimento não fariam parte de nosso cotidiano. Na real funciona assim, eles fingem que são submissos à nossa vontade e nós fingimos que nos sentimos consumidores exclusivos.

Mas este papo não funciona no mundo dos botecos. Muitos donos não têm vergonha ao afirmar que por lá, quem mandam são eles. Deixa eu explicar esta história maluca. Certa vez estava na Cantina Açores, um restaurante português com cara de boteco no Juvevê, e um cliente disse que não queria a salada servida junto com o prato executivo (famoso PF). Logo ouviu do proprietário “vai comer sim porque aqui quem manda é o dono”. Achei graça e interpretei a cena como uma brincadeira de português sarrista com um freguês cativo.

Descobri que aquilo não era apenas uma brincadeira quando me deparei com a mesma teoria em um típico botequim no Água Verde, o Colarinho. Estava conversando com o Rubinho, um dos sócios, quando ele me disse que o cliente não manda no boteco, é o dono que sabe o que é melhor, o que deve ser servido, como deve ser servido. Tem até uma filosofada maluca sobre a bem quista saideira. O áudio você confere logo abaixo.

Se esta teoria se confirmar, coitados dos homens submissos, os típicos bundões. Geralmente são capachos dos chefes, fazem tudo que as mulheres pedem sem reclamar e agora descobrem que nem no chopp ou na cervejinha do fim de expediente eles mandam.

Mas chega de prosa e vamos ao que interessa, ao que tem de bom para comer nestes dois lugares que eu citei. Nesta hora não importa quem manda, o que vale é comer bem. Lá na Cantina Açores tem bolinho de bacalhau (é bom, mas há tão bons ou melhores em outros bares) e um imperdível bolinho de siri. Este sim eu diria que é o aperitivo destaque da casa. Para os fãs de bacalhau, o à Gomes de Sá é muito bom, acompanhado com arroz branco e grão de bico ensopado. Confesso que nunca fui fã do tal grão, mas a receita do Seu João é muito boa. Outro detalhe é que os pratos são muito bem servidos. Já pedi uma porção individual e comi muito bem com a amiga Giselle Hishida, e olha que somos bons de garfo. Em outra ocasião, em quatro pessoas, pedimos para três e ainda teve marmitinha no final. Pra terminar a propaganda que estou fazendo para o português, geralmente segunda-feira, na hora do almoço, rola um prato feito com bacalhau gratinado. Só R$ 7,00.

No Colarinho eu indico o bolinho de bacalhau (o Seu João que não leia isso). Tem uma porção de frango crocante que também é muito boa. Na verdade é um frango à passarinho metido à besta. Para matar a fome de verdade, aquela que não passa com petiscos, a dica é caldeirada de peixe com frutos do mar na segunda-feira, canjiquinha com costelinha defumada na quarta-feira e moqueca de peixe e camarão no sábado.

Bem, e toda esta comida não pode ficar desacompanhada. No Colarinho o chopp Brahma é sempre bem tirado. Na Cantina Açores nunca falta cerveja gelada. Se você for “de casa”, pega direto na geladeira.

Ficou interessado na teoria “quem manda é o dono” nos botecos? Ouça a filosofia do Rubinho, do Colarinho (até rimou). CLIQUE PARA OUVIR

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