O colunista Alessandro Martins reuniu dez ótimos motivos para mergulhar no clássico de Shakespeare. Pode ser pela leitura, mas também vale apreciar uma bela encenação de Hamlet. Confira o áudio e o texto no site do colunista
Um vereador de União da Vitória, no Paraná, está causando dando o que falar na cidade. Ele quer retirar um livro das escolas da região, pois considera ter passagens eróticas. A obra é composta por textos de renomados escritores, e foi avaliado antes de ir para as mãos dos alunos. Sexo e erotismo em livros utilizados nas escolas parece ser um prato cheio para quem gosta de um pouco de polêmica. O colunista Alessandro Martins conversa sobre o assunto com Tathiana Mesquita.
Teria.
A coisa já estava quase feita quando alguém percebeu que lá pelas páginas cento e tantas havia um trecho que descrevia – tirem as crianças da sala – sexo.
Cancele-se a compra, coloque-se essa história nos jornais e nas revistas, e mutile-se a obra. Espetaculismo possivelmente motivado pelo que aconteceu em São Paulo dias antes. Mais livros didáticos em que aparecia – tirem as crianças da sala – sexo.
Cito um trecho do texto em que conta a sua versão da história: link
Entre os danos materiais, está o dano moral do autor ao ver um trecho de seu próprio livro, duas ou três linhas, ser reproduzido nos jornais como se fosse um hai-kai, e não parte de um romance de 142 páginas, em que cada palavra se relaciona com o todo e é voz de um narrador-personagem capaz de dar significado à sua linguagem.
Escrevi sobre o tema em meu blog, explicando como o governo catarinense pensa mais em sexo que em literatura. Afinal, por se tratar de um livro, qualquer um serviria. Talvez nossos alunos nem o leiam, não é mesmo? Afinal é apenas um livro.
Mas ao perceber-se que havia sexo nele, acenderam logo o incinerador. Afinal, tratava-se de sexo.
Se quer saber, por mim tudo bem vetarem o livro antes. Nem ficaríamos sabendo e seríamos poupados de um espetáculo ridículo.
Porém a conveniência moral vem antes da ética e do cuidado com a formação literária dos estudantes catarinenses. Logo, o livro foi aprovado e vetado. Tudo na ordem errada.
No entanto, não penso que isso seja privilégio de Santa Catarina ou do Brasil.
Uma leitora bem lembrou em um comentário que aqui transcrevo:
“O cortiço” foi leitura obrigatória no 2o ano do meu Ensino Médio. Os professores até ficam felizes, porque sabem que os alunos finalmente vão ler o livro todo, afinal, ele é coalhado de sacanagens… você vê os meninos se cutucando e perguntando se os outros já chegaram na cena lésbica. É raro ver tanto entusiasmo pela literatura.
Quanto a mim, fiquei meio chocada, mas entendi a função das cenas no romance, especialmente com a explicação do professor sobre o naturalismo e os nomes das personagens. (…)
A educação sexual costuma ser ministrada na 6a série; no Ensino Médio, certamente alguma aluna já deve ter aparecido grávida; o Tezza escreve bem; então por que a hipocrisia?
Proíbam os livros mesmo, digam que é “perigoso”, que aí todo mundo vai correndo ler. É melhor acreditar que tudo isso se trata de uma estratégia inteligente pra estimular a leitura no Brasil…
A leitora está certa.
Na verdade, é difícil pensar em boa arte que não tenha sua dose de erotismo ou até mesmo pornografia. Sexo ainda que velado. Até mesmo a mais beata das pietás tem sua dose de erotismo, na verdade.
Tomara que proíbam toda a literatura. Aí os nossos adolescentes vão ficar interessadíssimos.
http://www.livroseafins.com
http://www.cracatoa.com.br
http://www.iniciantenabolsa.com
http://www.queroterumblog.com
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Em sua coluna de estréia Alessandro Martins fala sobre um assunto que pode até tirar o sono dos amantes dos livros convencionais: a digitalização de livros e a ameaça de extinção dos livros de papel. Martins é jornalista e atua como editor de blogs. Quem gosta de saber o que acontece na web não pode perder esta coluna, toda semana aqui na Jornalismofm.
Livros sem cheiro
Esses dias me perguntaram se, com a digitalização dos livros, os livros como os conhecemos iriam acabar.
A resposta é não. Os livros de papel, com capa, contra-capa, lombada e umas páginas no meio disso não acabarão.
Assim como o vinil não desapareceu com a chegada do CD e depois com a chegada do mp3. Aliás, o CD está se mostrando menos permanente que o vinil inclusive.
Os livros digitais e os livros de papel vão conviver.
Curiosamente, o maior argumento dos defensores fanáticos do livro de papel é o cheiro.
- Livros eletrônicos não tem cheiro.
Como se cheiro de livro fosse sempre agradável.
Basta visitar um sebo para descobrir que livro é uma coisa que junta muito pó e mofo, quando velho, e é uma reunião de produtos químicos, quando novo.
Em ambos os casos é a felicidade dos médicos especializados em alergias.
Gosto de livros, mas não por causa de seu cheiro. Gosto deles por serem um meio de armazenamento de informação com muitos séculos. Antes dele, os pergaminhos. É anterior a Gutenberg, o livro. Pense nos monges beneditinos fazendo suas cópias e suas iluminuras.
São uma sacada de design tão boa que até então não haviam encontrado nada melhor para a leitura e armazenamento de textos.
Mas o fato é que os livros digitais estão aí. Antes do Kindle, o livro digital da gigante Amazon, já houve outros. E, agora, depois da segunda versão do Kindle, surgem outros. Só esta semana vi nos blogs que leio uns seis novos.
Ainda não me caiu nas mãos um desses, mas quem me contou sobre eles disse que já é tão confortável quanto ler no papel, sem os incômodos do brilho de uma tela de computador, por exemplo.
Em um pequeno espaço você pode guardar milhares de volumes. Sem falar nas comodidades de marcar o texto e fazer anotações sem risco de rasuras, caso você ache que o livro de papel não possa ser maculado.
Com a convergência de tecnologias, acesso à internet e tudo o mais, sabe lá o que esse tipo de meio armazenamento e leitura nos reserva.
Certamente, na minha casa, sempre haverá espaço para livros de papel. Possivelmente, na casa de nossos netos também, se eles forem colecionadores e gostarem de preservar a cultura, a exemplo dos fãs dos discos de vinil.
Se você ainda torce o nariz para livros digitais, quero fazer um desafio.
Duvido que, mesmo sem ter ainda um leitor apropriado, você resista a dar uma olhada na lista que preparei com o ranking dos 2 mil livros mais baixados no site Domínio Público, do Governo Federal.
Além do Domínio Público, existem pelo menos mais 12 sites especializados em livros cujos direitos autorais já expiraram. Se você está ouvindo esta coluna, recomendo que visite o site para conferir os links.
Isso sem falar nos sites de livros pirata. Atividade que, a exemplo do que vem acontecendo com a indústria musical, em breve, fará o mercado de livros ter de repensar o seu modelo de negócios.
O maior vendedor de livros do planeta é Paulo Coelho, independentemente do que pensemos quanto às suas qualidades literárias. Ele, por exemplo, tem um site em que pirateia seus próprios livros, o Pirate Coelho. Diz que a pirataria digital impulsiona as vendas de seus livros. De papel.
Se os livros de papel e os os livros digital já começam estabelecer relações comerciais, investimento de tecnologia de empresas como a Sony, a Amazon e outras, está na hora de você começar a se acostumar com a idéia. Guarde seus livros preferidos, mas prepare um lugarzinho para o seu futuro leitor de livros digitais.
AUDIO2
Os 12 sites especializados em livros cujos direitos autorais já expiraram.
• Cultura Brasil
• Portal da Filosofia
• Troca de livros
• Gutenberg
• CultVox
• Biblioteca Nacional Digital
• Google Pesquisa de livros
• Biblioteca Virtual
• BibVirt
• eBookCult
• Virtual Books
• Pribi
• Cultura Brasil
• Portal da Filosofia
• Troca de livros
• Gutenberg
• CultVox
• Biblioteca Nacional Digital
• Google Pesquisa de livros
• Biblioteca Virtual
• BibVirt
• eBookCult
• Virtual Books
• Pribi
Os blogs de Alessandro Martins:
http://www.livroseafins.com
http://www.cracatoa.com.br
http://www.iniciantenabolsa.com
http://www.queroterumblog.com
http://www.eupraticoyoga.com