“Eu gostava demais da alegria que você me proporcionava e da felicidade que me fazia sentir. Sim, eu amei você de verdade, mas chegou a hora dizer adeus. Eu não preciso mais de você ! ”
Na última semana de fevereiro, a rádio BBC da Inglaterra, transmitiu aos ouvintes a carta que a adolescente Hannah Meredith, natural do País de Gales, escreveu, dois meses antes de morrer de overdose por heroína, pouco antes de completar 18 anos de idade.
A história da adolescente britânica não é diferente das demais histórias de dependentes de drogas. Ela diz na carta que começou pegando dinheiro emprestado, que nunca devolveu, para poder comprar heroína, e que depois começou a roubar dinheiro da própria família. Tornou-se dependente, passou a ser rotulada na rua e a ser ignorada por muitos. Em suas próprias palavras, Hannah diz que a heroína a fez “sentir-se um lixo com os braços picados por agulhas”. E que não sabia por que começou a usar a droga.
Nada diferente dos milhares de casos sobre os quais lemos e ouvimos diariamente no nosso país, o Brasil. Mas o que chama a atenção no fato é que a carta não foi endereçada a alguém da família, nem a amigos, tampouco foi uma carta de despedida pré-suicídio. Ao contrário de tantas outras cartas que suicidas costumam deixar, esta era a declaração de um recomeço. É a carta de uma vítima ao próprio algoz. Ela escreve despedindo-se da heroína e e dizendo “agora não preciso mais de você e vou provar para todo mundo que sou capaz de ficar longe de você, vou fazer uma faculdade, conseguir um emprego e comprar um carro.”
Surpreendeu-me o teor da carta, não por ela querer deixar de usar a droga. Afinal, muitos dependentes também desejam conseguir. Mas por ela acreditar, como em suas palavras ficou claro, que “eu posso controlar você e você não pode me controlar”. Uma menina recém saída da infância, que começou a usar heroína sem saber o porquê e que acreditou, assim como qualquer adolescente, ter “força de vontade suficiente para tirar você da minha vida”.
Optei por transcrever os trechos em aspas, que são as palavras de Hannah, e que mostram o quão inteligente a adolescente era ao se dirigir de forma objetiva e decidida àquela que lhe causou tanto mal. Mas a mesma inteligência que usou para escrever a carta não a impediu de começar a usar algo que ela não sabia por que motivo havia começado.
Foi uma inteligência desperdiçada de alguém que tinha família e planos como qualquer outro adolescente. Afinal, entre aqueles que nos rodeiam, a maioria planeja o mesmo que ela : cursar uma faculdade, conseguir um emprego, comprar um carro. Ela termina a carta despedindo-se da heroína e dizendo que “a família vem em primeiro lugar”.
Curiosa a relação das palavras : heroína, uma palavra atribuída a quem consegue feitos heróicos, de superação. Afastando-se da heroína, a droga, Hannah poderia tornar-se uma heroína, pela sua própria superação.
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O rapaz de sobrenome francês (Chopin) sempre me fez crer que era alemão. Não sei ao certo porque. Talvez por seu antecessor, Beethoven, sê-lo. Eu tinha vontade de aprender a tocar piano, desde criança. As meninas do colégio, cujos pais podiam pagar aulas extras curriculares, faziam piano e voltavam para o colégio à tarde, algumas vezes por semana. E eu ficava imaginando como era poder tocar um instrumento tão impressionante, que depois eu aprendi que faz parte do grupo dos instrumentos de corda, e que raramente necessita da voz humana para penetrar na alma com sua musicalidade.
Cresci gostando de ouvir músicas ao piano, sem jamais ter aprendido a tocar. E o nome de Chopin me vinha à mente sempre que eu ouvia alguém tocar as teclas com velocidade acelerada. Era a Polonaise, obra do compositor polonês, filho de pai francês, daí o sobrenome Chopin.
Neste ano comemora-se o bicentenário do seu nascimento, no dia 01 de março. Frédéric Chopin nasceu nos arredores de Varsóvia, mudando-se para a cidade ainda no primeiro ano de vida. Ao completar 20 anos de idade, saiu da Polônia para começar a se apresentar em países da Europa Ocidental. Estava em Viena quando a ocupação da Polônia pelo Império Russo aconteceu, em 1930. Nunca mais voltou à sua terra natal.
Suas composições eram admiradas por outros compositores e pela realeza. Era destaque nos jornais dos países onde se apresentava, sendo comparado a Mozart e a Beethoven.
Morreu em Paris aos 39 anos de idade. Antes do funeral, seguindo o seu desejo, teve o coração retirado, por causa do medo de ser enterrado vivo. O coração do compositor foi entregue à sua irmã em uma urna de cristal e permanece até hoje na Igreja da Santa Cruz, em Varsóvia, sob a inscrição “onde seu tesouro está, estará também seu coração”.
Era reconhecido pela fineza de gestos e modos e por tocar o piano sem mover o corpo e quase sem mover os braços. Atribui-se a ele as composições que falam diretamente ao coração das pessoas, como disse Arthur Rubinstein. Segundo seus próprios alunos, Chopin odiava tudo que era vagaroso ou demorado. E esta característica me faz lembrar de que quando comecei a admirá-lo ouvia repetidas vezes a Polonaise. Foi uma série de sete publicadas durante a sua vida e mais nove publicadas postumamente.
Antes de escrever este texto enviei um email a uma pessoa amiga na Polônia. Perguntei se ainda existe a apresentação de consertos ao ar livre, durante todo o verão, todos os dias da semana, sempre com obras de Chopin, na praça central do Parque Lazienki, em Varsóvia. Ela me confirmou que sim !
Chopin não foi o maior compositor de todos os tempos. Outros grandes nomes perpetuaram suas obras. Mas o mundo inteiro está comemorando o seu bicenterário. Fico imaginando que músicas compostas nos últimos 20 anos ainda serão tocadas daqui a 200 anos …
O título deste texto é o nome da canção I Like Chopin, do álbum homônimo da década de 1980, do compositor Ítalo-Libanês Paul Mazzolini, também conhecido como Gazebo.
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No ano de 1960 o maior terremoto da história mundial foi registrado no Chile, atingindo 9,5 graus na escala Richter, matando quase 7.500 pessoas. Desde então, outras tragédias naturais têm sido registradas, com o número de mortos sendo sempre imensamente superior àquele do início da década de 1960.
No fim do ano de 2004, os tsunamis na Ásia, mataram mais de 160.000 mil pessoas. No ano de 2008, pouco antes dos Jogos Olímpicos, a China sofreu o maior terremoto de sua história, com 9.000 mortos.
O início desta nova década tem apresentado fenômenos climáticos e desastres naturais intensos, com nevascas no hemisfério norte que questionam os mais céticos e fazem com que os preocupados com o aquecimento global se dêem um intervalo. Nos países tropicais, as chuvas de verão causam enxurradas e soterramentos indistintamente.
Por fim, os tufões e furacões, que costumam ter épocas certas para aparecer, têm se esquecido do calendário nos últimos anos, levando literalmente pelos ares bens e males da humanidade.
As chuvas, as nevascas, os terremotos, os tufões e furacões levam embora casas, carros, morros e árvores, além de vidas humanas. Como se o que eles levam já não fosse muito, eles conseguem levar ainda mais. Pessoas que choram as suas perdas materiais e os seus mortos, acabam, de alguma forma, algum dia, recuperando forças e reconstruindo suas vidas. Adquirir novos bens e ter novos documentos, mesmo com dificuldade extrema, acaba acontecendo. E os sobreviventes retomam suas vidas ou o que sobrou delas. Mas existe algo que acaba indo embora e não retorna : a memória. Nossas vidas são guardadas em pequenos pedaços de papel, desde o dia em que nascemos, ou ainda antes dele. Ao longo dos anos, nossos pais vão juntando fotografias que, com o tempo, nós aprendemos a guardar e às quais vamos adicionando outras, na medida em que os momentos importantes da nossa vida vão chegando.
Os fenômenos climáticos e desastres naturais levam embora também as nossas memórias, as nossas lembranças em fotografias. São parte importante do nosso passado, da nossa história. E será muito difícil recuperar.
Na primeira vez que visitei a Polônia, há quase 10 anos, durante um passeio pela capital do país, Varsóvia, pude ver de perto as partes destruídas pelos bombardeios da Segunda Guerra Mundial. São edificações que foram recuperadas e outras, propositadamente, deixadas para que os que viessem depois pudessem ver o que aconteceu. Mas o mais curioso do meu passeio foi poder comprar em lojas para turistas cartões postais com fotos da cidade, divididos em duas partes : uma metade do cartão postal mostrava um local da cidade, fotografado após o fim da guerra, em preto e branco, com a destruição visível. A outra metade do mesmo cartão postal continha a foto, agora colorida, tirada do mesmo ângulo, mostrando o mesmo local, reconstruído anos depois. Não foi o vento que levou aquelas vidas e aquelas edificações embora. Não foi um terremoto nem tsunami mas algo muito pior que qualquer fenômeno climático ou desastre natural. Foi a guerra. E, mesmo assim, de forma criativa e até didática, os sobreviventes encontraram uma maneira de perpetuar a história e o passado.
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Na última semana de 2009, no jornal espanhol El País, o título da coluna de Andrés Oppenheimer era : “Idéias não tão loucas para 2010 !” . O escritor e jornalista, nascido na Argentina, mas com formação nos Estados Unidos, diz que, enquanto viajava pelo mundo durante o ano, aprendeu coisas que gostaria de compartilhar com os leitores.
E eu tomei a liberdade de transcrevê-las, em Português, por acreditar que o jornalista tem razão quando diz que algumas idéias são tão simples que podem parecer bobas. Seguem algumas delas :
A América Latina nunca resolverá os seus problemas de pobreza se não melhorar os seus padrões educacionais.
Necessitamos de um PEB – Os economistas medem o progresso dos países de acordo com o PIB. Mas a América Latina nunca resolverá os seus problemas se não melhorar a educação, porque, por mais que a sua economia cresça, os benefícios do crescimento não chegam aos que não tem educação suficiente para conseguir empregos no setor formal da economia. Está na hora, segundo Andrés Oppenheimer, de se criar um Produto Educativo Bruto, o PEB, e que seja um instrumento de medição tão ou mais importante que o PIB.
O que mais vale são as idéias – Ainda que a maior parte das exportações latino-americanas seja de matérias-primas ou de produtos manufaturados, a economia mundial recompensa cada vez mais os que produzem novos conceitos. Inovação é a palavra-chave do futuro. Em recentes viagens que fez ao Peru e à República Dominicana, o jornalista percebeu que os fabricantes têxteis locais que exportam camisetas e jeans para multinacionais em Nova York, ficam com menos de 20% do preço final destes produtos nas lojas americanas. Mais de 80% do preço final vai para os que criaram as marcas, o design, a publicidade e realizaram outras tarefas não braçais. Está na hora de os países latino-americanos agregarem mais valor às suas exportações.
Pode-se ensinar Inglês e outras línguas gratuitamente – Nas viagens que fez à Finlândia, Suécia e Israel, o jornalista surpreendeu-se com as respostas que recebia quando perguntava por que tanta gente fala Inglês nestes países, facilitando a sua inserção na economia global : ”Muito fácil”, respondiam. “Nós não dublamos os desenhos animados da televisão e nossos filhos se acostumam à língua Inglesa desde o berço”.
O título da coluna do jornalista é claro : são idéias. Não se trata de lista de desejos, nem de resoluções ou decisões para o novo ano. Mas são pensamentos que podem evoluir. Uma realidade que pode não estar tão distante.
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You always see what your eyes want to see (você sempre vê o que os seus olhos querem ver). Assim começa uma das músicas da cantora Madonna. Me fez pensar nas diferentes formas como cada um de nós vê algo que está à nossa frente. Um mesmo objeto, um mesmo cenário, tem diferentes interpretações por parte dos que observam.
O jornal francês Le Figaro publicou a notícia sobre a abertura de uma exposição de fotos do fotógrafo inglês Michael Kenna, e que permanecerá aberta ao público, em Paris, até o dia 24 de janeiro de 2010.
Em 35 anos de carreira, o fotógrafo, que tem como característica principal fazer fotos em preto e branco, vê o resultado do seu trabalho exposto em galerias do mundo todo, além de ter sido premiado em vários países. As fotos são sempre de paisagens, monumentos, fábricas, e não há personagens. Mostram a natureza. A beleza das coisas e das paisagens, segundo ele, é que se impõe em suas fotos. Ele diz que é uma questão de ponto de vista, de filosofia.
Sempre admirei demais o trabalho dos fotógrafos. Profissionais ou não, eles gostam de expor as fotos que realizam em pequenas ou grandes salas de exposição para que possamos admirá-las. Mas foram poucas as vezes em que vi ou li entrevistas com eles. Talvez porque não haja muito mais a ser dito além daquilo tudo que a fotografia mostra. Fotos em preto e branco são uma prova de que o talento realmente pode se sobrepor aos recursos da tecnologia deste início de século.
Michael Kenna se declara um anti pararazzo, pois não persegue pessoas, nem gosta de ser, ele mesmo, fotografado.
Aos dez anos de idade ele foi enviado a um seminário católico na Inglaterra. Já na idade adulta, ele segue uma vida de disciplina e de silêncio. As regras restritas de não comer nem beber nada entre o jantar e o café da manhã explicam as suas fotos em preto e branco, a maioria feita à noite e de madrugada. E o culto ao silêncio se traduz na ausência de pessoas em suas fotografias. Ele diz que prefere fotografar o planeta azul em preto e banco, o que o torna ainda mais misterioso, mais subjetivo, uma vez que vemos tudo colorido o tempo todo. E diz ainda que não pretende fazer uma fotografia perfeita da realidade, mas prefere sugerir, convidando o espectador com as suas imagens.
O seu gosto pela vida antes do amanhecer e pela contemplação perante o milagre do mundo e do movimento cósmico é o que explica as suas premiadas fotos. As suas fotos são em preto e branco e cada um que as vê as sente e interpreta da maneira como quer. Como diz a música, sempre vemos o que os nossos olhos querem ver. O fotógrafo inglês nos mostra uma maneira diferente de ver o que nos rodeia e que talvez possa ser aplicada no nosso dia a dia, já que a fotografia em preto e branco não tira o colorido das nossas vidas.
Site oficial do fotógrafo
É praticamente impossível não ter visto uma lista das muitas que aparecem em revistas, jornais e sites, sobre coisas que as pessoas deveriam fazer antes de morrer. Como se quem as cria já esteja lá do outro lado e, por isso, em tom de sábio conselho, lista coisas para os que estão do lado de cá. Tamanha é a imaginação destes criadores, que há pouco tempo cheguei a ler uma lista justamente de livros para não serem lidos. Enfim, seja com intuito de ajudar, seja por simples diversão, quem cria tais listas certamente tem tempo de sobra, mas não conhece as pessoas que as lêem. E cheguei à conclusão de que, se alguém seguir uma lista sequer das muitas com as quais nos deparamos, não sobrará tempo para viver. Assim, criei uma lista das coisas que eu, mesmo na certeza de ter ainda muita saúde e muitas décadas de vida pela frente, jamais faria. (mais…)
Há alguns dias, enquanto ouvia pela quase milionésima vez o álbum de Simon & Garfunkel gravado durante um concerto no Central Park, em Nova York, em 1981, voltei a prestar atenção no que ambos falam entre as músicas. Em um momento do concerto, Simon agradece a presença de todos, incluindo os policiais, os bombeiros, as equipes médicas, os montadores de palco, enfim, pessoas cujo trabalho não é visto, sequer é notado. E o agradecimento vai particularmente, diz ele, às pessoas que nunca são reconhecidas pelas suas ações e pelo seu trabalho, pessoas que doam quase metade dos seus salários, após terem recebido o pagamento. (mais…)
Os jornais britânicos publicaram nos últimos dias uma matéria sobre os bilhetinhos escritos por uma menina de 6 anos, e que foram encontrados pelos pais após a sua morte. A menina teve um câncer de cérebro diagnosticado, contra o qual lutou por 9 meses. Após sua morte, os pais começaram e achar bilhetinhos dizendo que os amava e que continham desenhos feitos por ela. Eles estavam escondidos dentro de malas e bolsas da família, entre livros da estante e pratos na prateleira da cozinha, além de gavetas dos móveis da sua casa e também nas casas de parentes que costumava visitar.
Em agosto de 2007, li uma entrevista com a socialite presidiária, Wilma Magalhães, que cumpria pena por corrupção em uma penitenciária de Brasília. Os motivos da condenação são irrelevantes, mas a maneira como a apenada encarava a vida diária na cela foi o destaque da entrevista. Acostumada ao luxo que a vida de socialite lhe proporcionava, ela tentava amenizar o cumprimento da pena e declarou que havia concedido a si própria o direito de se sentir em um spa. Chegou a levar um enxoval novo para a prisão.
A bela modelo alemã Heidi Klum comanda um programa de TV que seleciona aspirantes à vida que a consagrou. Trata-se de uma competição, porém em programa de realidade, ou reality show, em que meninas convivem por um período de tempo, sendo eliminadas aos poucos. Há um outro programa internacional que também seleciona modelos, e que tem a sua versão no Brasil.