O rapaz de sobrenome francês (Chopin) sempre me fez crer que era alemão. Não sei ao certo porque. Talvez por seu antecessor, Beethoven, sê-lo. Eu tinha vontade de aprender a tocar piano, desde criança. As meninas do colégio, cujos pais podiam pagar aulas extras curriculares, faziam piano e voltavam para o colégio à tarde, algumas vezes por semana. E eu ficava imaginando como era poder tocar um instrumento tão impressionante, que depois eu aprendi que faz parte do grupo dos instrumentos de corda, e que raramente necessita da voz humana para penetrar na alma com sua musicalidade.
Cresci gostando de ouvir músicas ao piano, sem jamais ter aprendido a tocar. E o nome de Chopin me vinha à mente sempre que eu ouvia alguém tocar as teclas com velocidade acelerada. Era a Polonaise, obra do compositor polonês, filho de pai francês, daí o sobrenome Chopin.
Neste ano comemora-se o bicentenário do seu nascimento, no dia 01 de março. Frédéric Chopin nasceu nos arredores de Varsóvia, mudando-se para a cidade ainda no primeiro ano de vida. Ao completar 20 anos de idade, saiu da Polônia para começar a se apresentar em países da Europa Ocidental. Estava em Viena quando a ocupação da Polônia pelo Império Russo aconteceu, em 1930. Nunca mais voltou à sua terra natal.
Suas composições eram admiradas por outros compositores e pela realeza. Era destaque nos jornais dos países onde se apresentava, sendo comparado a Mozart e a Beethoven.
Morreu em Paris aos 39 anos de idade. Antes do funeral, seguindo o seu desejo, teve o coração retirado, por causa do medo de ser enterrado vivo. O coração do compositor foi entregue à sua irmã em uma urna de cristal e permanece até hoje na Igreja da Santa Cruz, em Varsóvia, sob a inscrição “onde seu tesouro está, estará também seu coração”.
Era reconhecido pela fineza de gestos e modos e por tocar o piano sem mover o corpo e quase sem mover os braços. Atribui-se a ele as composições que falam diretamente ao coração das pessoas, como disse Arthur Rubinstein. Segundo seus próprios alunos, Chopin odiava tudo que era vagaroso ou demorado. E esta característica me faz lembrar de que quando comecei a admirá-lo ouvia repetidas vezes a Polonaise. Foi uma série de sete publicadas durante a sua vida e mais nove publicadas postumamente.
Antes de escrever este texto enviei um email a uma pessoa amiga na Polônia. Perguntei se ainda existe a apresentação de consertos ao ar livre, durante todo o verão, todos os dias da semana, sempre com obras de Chopin, na praça central do Parque Lazienki, em Varsóvia. Ela me confirmou que sim !
Chopin não foi o maior compositor de todos os tempos. Outros grandes nomes perpetuaram suas obras. Mas o mundo inteiro está comemorando o seu bicenterário. Fico imaginando que músicas compostas nos últimos 20 anos ainda serão tocadas daqui a 200 anos …
O título deste texto é o nome da canção I Like Chopin, do álbum homônimo da década de 1980, do compositor Ítalo-Libanês Paul Mazzolini, também conhecido como Gazebo.
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