No ano de 1960 o maior terremoto da história mundial foi registrado no Chile, atingindo 9,5 graus na escala Richter, matando quase 7.500 pessoas. Desde então, outras tragédias naturais têm sido registradas, com o número de mortos sendo sempre imensamente superior àquele do início da década de 1960.
No fim do ano de 2004, os tsunamis na Ásia, mataram mais de 160.000 mil pessoas. No ano de 2008, pouco antes dos Jogos Olímpicos, a China sofreu o maior terremoto de sua história, com 9.000 mortos.
O início desta nova década tem apresentado fenômenos climáticos e desastres naturais intensos, com nevascas no hemisfério norte que questionam os mais céticos e fazem com que os preocupados com o aquecimento global se dêem um intervalo. Nos países tropicais, as chuvas de verão causam enxurradas e soterramentos indistintamente.
Por fim, os tufões e furacões, que costumam ter épocas certas para aparecer, têm se esquecido do calendário nos últimos anos, levando literalmente pelos ares bens e males da humanidade.
As chuvas, as nevascas, os terremotos, os tufões e furacões levam embora casas, carros, morros e árvores, além de vidas humanas. Como se o que eles levam já não fosse muito, eles conseguem levar ainda mais. Pessoas que choram as suas perdas materiais e os seus mortos, acabam, de alguma forma, algum dia, recuperando forças e reconstruindo suas vidas. Adquirir novos bens e ter novos documentos, mesmo com dificuldade extrema, acaba acontecendo. E os sobreviventes retomam suas vidas ou o que sobrou delas. Mas existe algo que acaba indo embora e não retorna : a memória. Nossas vidas são guardadas em pequenos pedaços de papel, desde o dia em que nascemos, ou ainda antes dele. Ao longo dos anos, nossos pais vão juntando fotografias que, com o tempo, nós aprendemos a guardar e às quais vamos adicionando outras, na medida em que os momentos importantes da nossa vida vão chegando.
Os fenômenos climáticos e desastres naturais levam embora também as nossas memórias, as nossas lembranças em fotografias. São parte importante do nosso passado, da nossa história. E será muito difícil recuperar.
Na primeira vez que visitei a Polônia, há quase 10 anos, durante um passeio pela capital do país, Varsóvia, pude ver de perto as partes destruídas pelos bombardeios da Segunda Guerra Mundial. São edificações que foram recuperadas e outras, propositadamente, deixadas para que os que viessem depois pudessem ver o que aconteceu. Mas o mais curioso do meu passeio foi poder comprar em lojas para turistas cartões postais com fotos da cidade, divididos em duas partes : uma metade do cartão postal mostrava um local da cidade, fotografado após o fim da guerra, em preto e branco, com a destruição visível. A outra metade do mesmo cartão postal continha a foto, agora colorida, tirada do mesmo ângulo, mostrando o mesmo local, reconstruído anos depois. Não foi o vento que levou aquelas vidas e aquelas edificações embora. Não foi um terremoto nem tsunami mas algo muito pior que qualquer fenômeno climático ou desastre natural. Foi a guerra. E, mesmo assim, de forma criativa e até didática, os sobreviventes encontraram uma maneira de perpetuar a história e o passado.
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