You always see what your eyes want to see (você sempre vê o que os seus olhos querem ver). Assim começa uma das músicas da cantora Madonna. Me fez pensar nas diferentes formas como cada um de nós vê algo que está à nossa frente. Um mesmo objeto, um mesmo cenário, tem diferentes interpretações por parte dos que observam.
O jornal francês Le Figaro publicou a notícia sobre a abertura de uma exposição de fotos do fotógrafo inglês Michael Kenna, e que permanecerá aberta ao público, em Paris, até o dia 24 de janeiro de 2010.
Em 35 anos de carreira, o fotógrafo, que tem como característica principal fazer fotos em preto e branco, vê o resultado do seu trabalho exposto em galerias do mundo todo, além de ter sido premiado em vários países. As fotos são sempre de paisagens, monumentos, fábricas, e não há personagens. Mostram a natureza. A beleza das coisas e das paisagens, segundo ele, é que se impõe em suas fotos. Ele diz que é uma questão de ponto de vista, de filosofia.
Sempre admirei demais o trabalho dos fotógrafos. Profissionais ou não, eles gostam de expor as fotos que realizam em pequenas ou grandes salas de exposição para que possamos admirá-las. Mas foram poucas as vezes em que vi ou li entrevistas com eles. Talvez porque não haja muito mais a ser dito além daquilo tudo que a fotografia mostra. Fotos em preto e branco são uma prova de que o talento realmente pode se sobrepor aos recursos da tecnologia deste início de século.
Michael Kenna se declara um anti pararazzo, pois não persegue pessoas, nem gosta de ser, ele mesmo, fotografado.
Aos dez anos de idade ele foi enviado a um seminário católico na Inglaterra. Já na idade adulta, ele segue uma vida de disciplina e de silêncio. As regras restritas de não comer nem beber nada entre o jantar e o café da manhã explicam as suas fotos em preto e branco, a maioria feita à noite e de madrugada. E o culto ao silêncio se traduz na ausência de pessoas em suas fotografias. Ele diz que prefere fotografar o planeta azul em preto e banco, o que o torna ainda mais misterioso, mais subjetivo, uma vez que vemos tudo colorido o tempo todo. E diz ainda que não pretende fazer uma fotografia perfeita da realidade, mas prefere sugerir, convidando o espectador com as suas imagens.
O seu gosto pela vida antes do amanhecer e pela contemplação perante o milagre do mundo e do movimento cósmico é o que explica as suas premiadas fotos. As suas fotos são em preto e branco e cada um que as vê as sente e interpreta da maneira como quer. Como diz a música, sempre vemos o que os nossos olhos querem ver. O fotógrafo inglês nos mostra uma maneira diferente de ver o que nos rodeia e que talvez possa ser aplicada no nosso dia a dia, já que a fotografia em preto e branco não tira o colorido das nossas vidas.
Site oficial do fotógrafo