Meu reino (e o seu também) por um cartaz político

Nossas campanhas eleitorais, salvo raras exceções, não são propriamente o que poderíamos chamar de criativas e excitantes. Da mesma forma, e isso talvez por força da lei eleitoral, nossos candidatos preferem investir em santinhos e stickers que acabam colados em lugares esdrúxulos ou entupindo as bocas-de-lobo da cidade. Pois, acredite, as campanhas poderiam ser muito melhores do ponto de vista ideológico e, especialmente, do ponto de vista artístico. Antes que você me pergunte como é possível transformar um candidato com cara de pastel em um acepipe político mais atraente, dou a resposta. Acaba de chegar às minhas mãos o livro “Aterrorizar, manipular, convencer! História Mundial do Cartaz Político”, do historiador francês Laurent Gerverau. Em cerca de duzentas páginas, a obra mostra em todas as cores e com absoluta inspiração artística como é possível, usando cartazes, vender todas as cores do espectro político, do comunismo ao fascismo, e inspirar multidões. Os cartazes políticos, aliás, existem praticamente desde que surgiu o papel, na China da Dinastia Han, e em países como a França e a Alemanha continuam fazendo estrondoso sucesso. Depois de conhecer cartazes italianos de inspiração socialista produzidos na passagem dos séculos XIX para XX, ganhei a convicção de que é possível, sim, fazer uma campanha política mil vezes mais colorida e, ainda que o discurso político nacional seja essa sopa de pacote que todos conhecemos, efetivamente mais artística. Cartazes políticos, portanto, seriam definitivamente a minha aposta se eu fosse candidato – afirmo isso, mesmo correndo o risco de ser tido como lunático, amante de fósseis ou criatura desplugada da realidade. Não há que se imaginar, porém, um cartaz como um santinho em escala macro, pelo simples fato de que as carantonhas dos nossos candidatos não são das mais inspiradoras. Agora, imagine peças concebidas por figuras como Miran, Solda, Jaguar e Millôr – nos cartazes europeus, são artistas desse naipe os criadores. Isso é arte, política e vida. E eu fico por aqui. Bom dia!

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Para saber mais: “Terroriser, manipuler, convaincre! Histoire Mondiale de l’affiche politique”, de Laurent Gervereau, Somogy Éditions D’Art.

Rodrigo Wolff Apolloni

http://lattes.cnpq.br/3641602920073281

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One Response to “Meu reino (e o seu também) por um cartaz político”

  1. Cartaz político é arma mais atraente para inspirar multidões, através de seu marketing político alcançam a população de forma a manipular e convencer psicologicamente.

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