Foz do Iguaçu, 95 anos

A coluna de hoje vai sem áudio, uma vez que a garganta, infelizmente, impede-me de gravá-la. Nesta quarta-feira (10), Foz do Iguaçu comemora os 95 anos de sua emancipação, estabelecida em 10 de junho de 1914, sob o nome de “Vila Iguassú”.

De lá para cá, a aldeia ribeirinha cresceu de tal maneira, a ponto de tornar-se a quarta cidade mais populosa do Paraná.

Embora sua história como cidade seja recente, os primeiros assentamentos humanos na foz do rio Iguaçu surgiram por volta do ano 4.000 A.C, época em que nômades caçadores e coletores começaram a estabelecer-se na região, devido à grande disponibilidade de água e alimentos.

Três milênios mais tarde chegaram as primeiras tribos indígenas, que reinaram absolutas por estas terras até a vinda dos conquistadores espanhóis, cujo primeiro representante, curiosamente, foi um português: Aleixo (Alejo) Garcia, que em 1524, utilizou-se da rede de caminhos rupestres então existentes.

O “descobridor” oficial das Cataratas do Iguaçu, no entanto, é o espanhol Alvar Núñez Cabeza de Vaca, enviado pela coroa espanhola, em 1542, para averiguar a situação dos colonos que fundaram Asunción, naquele então, povoado europeu mais importante do coração da América do Sul.

Nos séculos seguintes, a trajetória da região onde hoje está assentada a cidade de Foz do Iguaçu esteve intrinsecamente ligada à do interior do continente, com a demarcação dos limites dos impérios de Portugal e Espanha sendo ajustada, na segunda metade do século XVIII, no curso dos rios Paraná e Iguaçu.

Dessa forma, um dos mitos mais difundidos em toda a região, de que Foz do Iguaçu e o oeste do Paraná pertenciam, antes da Guerra da Tríplice Aliança (1865-70), ao Paraguai, demonstra ser apenas um mito, uma vez que Brasil e Paraguai declararam sua independência após a demarcação das fronteiras coloniais.

Até a proclamação da república, porém, a região era habitada, majoritariamente, por paraguaios, argentinos e estrangeiros de diversas nacionalidades, havendo poucos indígenas na margem brasileira do rio Paraná. Em 1889, com a fundação da Colônia Militar do Iguassú, a nacionalização começou a ser implantada.

O passo seguinte para a consolidação do povoamento brasileiro na região foi a emancipação, em 1914, do então distrito de Vila Iguassú. A inauguração da BR-277 e a construção da Ponte da Amizade, na década de 1960, diminuíram o isolamento do município, cujo principal acesso, naquele então, era o rio Paraná.

Em 1970, antes do início das obras da usina de Itaipu, Foz do Iguaçu tinha pouco mais de 35 mil habitantes. Com o recrutamento de cerca de 40 mil operários, a população explodiu, em menos de uma década, para mais de 130 mil habitantes, chegando, em 2009, à casa dos 320 mil moradores.

Entre as curiosidades do perfil de Foz do Iguaçu, está sua diversidade étnica, com 79 nacionalidades distintas, convivendo em harmonia no mesmo território. A segunda marca registrada é o turismo, com os limites do território sendo emoldurados pelas Cataratas do Iguaçu e pela usina de Itaipu.

Outra das facetas iguaçuenses, porém, negativa, é a violência urbana provocada, principalmente, pela existência de atividades ilegais relacionadas à porosidade da fronteira.

De acordo com o estudo “Mapa da Violência”, Foz do Iguaçu é a quinta cidade com maior número proporcional de homicídios em todo o país e campeã em mortes na faixa etária que vai dos 15 aos 24 anos.

Mesmo assim, a cidade tem motivos de sobra para celebrar o seu dia, uma vez que, aos poucos, a economia e a auto-estima de seus moradores começa a ser recuperada, havendo, desde 2008, uma grande mobilização em prol da inclusão das Cataratas no ranking das sete maravilhas naturais do planeta.

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