Estado único é desproposital

O ditador Muammar Kadafi quer transformar a União Africana em um governo único para o continente africano, nos moldes da União Européia.

A proposta é desprosital porque, primeiro, vem de um ditador e, depois, não leva em conta as características políticas do continente atualmente.

aúdio

Cidade anticarro

Os 5,5 mil alemães de Vauban não sabem mais o que é precisar de carro para ir ao trabalho ou a atividades de lazer. A comunidade, distrito de Friburgo que faz fronteira com Suíça e França, começou a ser planejada em 1993, faz parte do movimento “planejamento inteligente”, que defende a separação entre o uso de automóveis e a vida suburbana.

A única via por onde transitam carros é a avenida principal, onde passa um bonde para ir ao centro de Friburgo, cidade mais próxima. Somente 30% dos moradores possuem carros e a cidade não tem garagens: quem não quiser se ver livre do uso do carro tem que pagar US$ 40 mil pela vaga. Em geral, são poucas e localizadas na periferia.

A maioria prefere usar bicicletas, bondes, e ônibus para se locomover na cidade. Mas as distâncias a serem percorridas não são muito grandes: a cidade foi projetada de modo que os pontos comerciais e administrativos pudessem ser acessados a pé.

Além da quase inexistência de carros trafegando pelas ruas, Vauban também é um exemplo de cidade sustentável em outros quesitos. Lá, todas as casas são construídas para que não consumam muita energia, utilizando painéis solares, sendo que pelo menos 100 delas consomem até 15kWh/m2. O limite de velocidade na rua principal é de 30 km/h, para permitir que os espaços públicos sejam usados para interações sociais A administração da cidade também abre fóruns de discussão em que os cidadãos podem propor idéias e apoiar projetos.

Apesar da cidade ser dominado pela classe alta, a onda de cidades sustentáveis já se espalha pela Europa e alcança inclusive alguns pontos nos Estados Unidos. Lá, a Agência de Proteção Ambiental (Enviromental Protection Agency) tem promovido a “redução de carros” em comunidades, estimulando políticas que priorizem o uso do transporte público. Na Califórnia, a comunidade de Quarry Village tem seguido o exemplo da cidadela alemã e hoje só é possível ter acesso a ela sem carro.

Reproduzido da Revista Fórum:

http://www.revistaforum.com.br

Foto do site http://www.energiaeficiente.com.br/2009/05/19/564/

TV mais cara

Os aparelhos novos de televisores de alta definição tiveram um aumento de preços inesperado nos últimos dias.

Não é um bom momento para comprá-los.

aúdio

O Molloch que mastiga

O prato do dia é Michael Jackson. Servido frio e molhado das lágrimas de milhões de pessoas em todo o mundo. Diante disso, prometo não me alongar, pelo menos diretamente, no tema. Ao escutar esta coluna, você certamente já terá tido acesso a centenas de informações sobre a vida e a morte do artista, assim como às primeiras piadas de humor negro de sempre sobre o tema. Aliás, na noite de ontem é que eu percebi como o twitter funciona bem para difundir piadas esdrúxulas. Tudo parece fazer sentido, mesmo sem ter sentido nenhum, sem a, b ou c ter sentido nada. Em nossa estranha era, pois não, tais passos fazem parte do ritual de despedida dos personagens notórios. Cá para nós, tenho a impressão de que Michael Jackson já vinha se retirando do mundo há muito tempo, ou melhor, há muito é que ele lutava contra um processo fantástico de mastigação. Por um Molloch fantástico que, como eu ou você, de vez em quando também ensaiava o famoso moonwalking na frente do espelho e longe do resto da humanidade. Certo, mesmo, estava o sábio chinês Lao Tzu, que quando se descobriu mais ou menos famoso deu no pé, não sem antes deixar por escrito que o segredo da imortalidade está diretamente relacionado à mimese com o cenário e à percepção de que a chama que brilha muito se esgota rápido. Sei lá. Bom dia!

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Domingo tem meia maratona das cataratas

As paisagens exuberantes do Parque Nacional do Iguaçu e das Cataratas serão novamente palco para um evento que une esporte, meio ambiente e história local. Atletas de vários estados e até de fora do país vão se encontrar na terceira edição da Meia Maratona das Cataratas do Iguaçu, marcada para o dia 5 de julho (domingo). Organizado pela Associação Pro Correr de Incentivo ao Esporte, Cataratas S.A e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, o evento que contou com a participação de 759 corredores em 2008, neste ano atingiu a marca de mil inscritos uma semana antes da realização da prova, estabelecendo um novo recorde de participantes. A disputa mantém o percurso de 21 km, 12 deles ladeados pela mata nativa do Parque e com vista para as Cataratas na linha de chegada, mas apresenta algumas novidades.

Uma delas é a instituição do exame antidoping, característico de grandes provas, que irá garantir maior rigor na apuração dos resultados. Outra mudança é a divisão de pelotões de elite para as largadas das categorias feminina e masculina, que sairão na frente dos demais atletas. Para largar no pelotão de elite masculino o atleta precisa comprovar marcas conquistadas em provas oficiais reconhecidas e aferidas nos anos de 2008 e 2009 de até uma hora e 11 minutos em meia maratona ou de até 32 minutos em provas de 10 km. No pelotão de elite feminino, a corredora deve comprovar marcas de uma hora e 23 minutos em meia maratona ou 38 minutos em provas de 10 km, também alcançadas em provas oficiais de 2008 e 2009. A comprovação das marcas deve ser enviada através do e-mail inscricao@procorrer.org.br ou fax para 41 3222 6262. Não serão aceitas marcas que ultrapassem os índices mencionados, principalmente em provas não reconhecidas.

Os três primeiros lugares nas categorias feminina e masculina serão premiados com o troféu comemorativo “Itaipu – 35 anos”, além de quantias em dinheiro: R$ 15 mil para o primeiro lugar, R$ 10 mil para o segundo e R$ 5 mil para o terceiro. Os participantes que completarem a prova dentro do tempo limite de duas horas e 30 minutos ganharão medalhas.

Além de ter um dos mais belos cartões postais do país como cenário, a 3ª Meia Maratona das Cataratas irá reunir expoentes do atletismo nacional, como Franck Caldeira, dono de títulos da Corrida de São Silvestre, Meia Maratona do Rio de Janeiro e da maratona masculina dos Jogos Pan Americanos de 2007, e Marizete Moreira dos Santos, tetracampeã da Meia Maratona de Brasília. Destaques internacionais também têm participação confirmada, entre eles o campeão argentino Gustavo Comba e os quenianos Joseph Kibiwott Ngtich e Anne Cheptanui Bererwe.

Os corredores inscritos deverão retirar o kit do atleta no Hotel Mabu Thermas & Resorts, em Foz do Iguaçu, nos dias 3 e 4 de julho (sexta e sábado), das 9h às 18h, mediante apresentação da identidade, passaporte ou confirmação via e-mail. O kit contém número de peito, alfinetes, chip, camiseta, boné, brindes oferecidos pelos patrocinadores e o vale jantar. Mais informações pelo 41 3232 5649 ou no site www.meiamaratonadascataratas.com.br.

Escola

O jornal francês Le Monde publicou na semana passada um artigo sobre o modelo educacional da Finlândia. Nos últimos 3 anos, a Finlândia tem sido o primeiro país, dentre 43 avaliados, nos quesitos literatura, matemática e ciências, e o segundo país em resolução de problemas.

O país escandinavo optou por colocar o desenvolvimento da criança no centro do seu sistema educacional. Uma criança feliz, que tem o seu ritmo respeitado, é uma criança que aprende mais eficazmente. A criança começa a freqüentar a escola somente com 7 anos. A nota máxima é 9, para evitar a pressão. Cada aula dura 45 minutos, sempre com intervalos de 15 minutos. Após permanecer durante 5 horas por dia na escola, a criança está liberada a partir das 14:00 ou 15:00 hs. A lição de casa com os pais é parte integrante do processo. A Finlândia destina 7% do seu PIB para a educação. É uma questão de escolha, é a maneira que o país escolheu de trabalhar com as crianças.

No Brasil, além de tomarmos conhecimento das carências do sistema educacional brasileiro, deparamo-nos com notícias no cotidiano sobre a falta de atenção na escolha e distribuição de livros didáticos, as falhas neles contidas, a falta de preparo de muitos professores das redes pública e privada. Professores mal remunerados e mal preparados sofrem ameaças, e muitos deles são vítimas de violência física dentro e fora das escolas. Finalmente, a triste realidade das crianças na grande maioria das favelas, principalmente no Rio de Janeiro, que tem o seu dia de aula interrompido pelos constantes tiroteios, sendo as aulas suspensas por dias, quando não por semanas.

São estas crianças que, dentro de 10 ou 15 anos, assumirão os postos de trabalho no país, nas empresas e instituições públicas e privadas. Estes profissionais serão resultado desta realidade educacional de hoje.

A Educação tem sido considerada um item quase desnecessário nas pautas das reuniões de órgãos governamentais em nosso país. Quando ocorre, é para desvalorizá-la, como na extinção de cursos.

Toque de recolher viola direitos de crianças e adolescentes

PAUTA DA AGÊNCIA NACIONAL DOS DIREITOS DA INFÂNCIA

(http://www.andi.org.br/?p=pautas)

* Multiplicam-se portarias que restringem presença de crianças e adolescentes nas ruas

* Entidades ligadas ao movimento da infância questionam legalidade da medida

* Conselho Nacional divulga parecer contrário e cobra intervenção do CNJ

Há duas semanas, municípios do interior da Bahia e de Minas Gerais implementaram, por determinação da Justiça, o toque de recolher para crianças e adolescentes. Em Patos de Minas, interior de Minas Gerais, desde o dia 15 de junho crianças e adolescentes só podem ficar nas ruas desacompanhadas dos pais ou responsáveis até às 23h. A questão tem motivado polêmica. O Fórum Colegiado Nacional de Conselheiros Tutelares (FCNCT) já se manifestou oficialmente contrário. Na última sexta-feira, 18, o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) também aprovou parecer contrário a essas decisões. Ambos classificam a medida como desrespeitosa e retrógrada, por ferirem direitos já garantidos por lei a estes cidadãos.

Também ganharam repercussão casos semelhantes no interior de São Paulo e Paraíba. As decisões vêm sendo justificadas pelos juízes e por aqueles que apoiam a restrição como medida de segurança pública. Dentre os argumentos apresentados, está a erradicação da violência entre crianças e adolescentes e a maior proteção a esses sujeitos. Segundo a vice-presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente de Patos de Minas, Maria Helena Brás Brito, “o objetivo é instaurar uma medida que reduza o índice de violência local, marcado por um forte aumento nos últimos anos”. Segundo ela, a intenção dessa medida é conscientizar e advertir famílias, e não puni-las.

No entanto, autoridades judiciárias e entidades dedicadas aos direitos da infância e a adolescência argumentam que essas decisões ferem direitos, como o de ir e vir e o de ter participação na vida comunitária, previstos pelo artigo 5º da Constituição Federal brasileira e pelo artigo 16 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O Conanda, principal órgão do Sistema de Garantia de Direitos da Criança e do Adolescente, divulgou parecer contrário em que elenca, ainda, outros direitos violados com as medidas e pede providências ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A expectativa do Conanda é de que o CNJ oriente os municípios acerca da ilegalidade desse procedimento.

Inconstitucionalidade e retrocesso

“O toque de recolher está fora da legalidade”. É o que afirma o promotor de justiça da Vara da Infância e da Juventude, Jacques Souto Ferreira, de Patos de Minas (MG). Jacques Ferreira explica que a medida fere o artigo 149, parágrafo 2, do ECA, que permite a expedição de portarias por autoridades judiciárias desde que sejam fundamentadas caso a caso, e não a partir de uma determinação geral. “Não foi o que aconteceu em relação ao toque de recolher. O juiz responsável por implementar essa medida ultrapassou seu poder e passou a legislar sozinho, suprimindo as outras instâncias legislativas. Trata-se de uma solução arbitrária”, reivindica o promotor.

De acordo com o conselheiro do Conanda, Ariel de Castro Alves, com a implementação do toque de recolher nos municípios, há riscos de que a medida seja usada para criminalizar e perseguir crianças e adolescentes. “Todos os municípios devem ter programas com educadores sociais que atuem 24 horas fazendo abordagens e trabalhos sócio-educativos com crianças e jovens em situações de risco. Não se trata de uma questão policial e sim social, que deve ser foco do Sistema de Garantia de Direitos e da Rede de Proteção Social”, argumenta.

O conselheiro diz ainda que a medida remete aos tempos do Código de Menores, quando os juízes podiam expedir de forma arbitrária portarias limitando os direitos dos cidadãos com menos de 18 anos. “A medida significa um retrocesso tendo em vista que nos remete à Doutrina da Situação Irregular do revogado Código de Menores e a procedimentos abusivos como a ‘Carrocinha de Menores’”, critica Ariel.

Medida ilusória

Para o promotor de justiça da infância e da juventude do Ministério Público do Estado de São Paulo e membro da Associação Brasileira de Magistrados, Promotores de Justiça e Defensores Públicos da Infância e Juventude (ABMP), Luiz Antonio Miguel Ferreira, a medida não vai resolver o problema da violência, apenas disfarçá-lo. De acordo com a nota publicada pela FCNCT, apenas 0,06% da população jovem está envolvida em atos contra a sociedade. Luiz Antonio destaca ainda que, ao tentar reduzir o índice de atos infracionais cometidos por adolescentes, a decisão acaba afetando toda a população com menos de 18 anos. “Não é justo implementar uma medida para punir meninos e meninas de forma genérica, sendo que apenas uma pequena parcela está envolvida em atos infracionais”, critica.

Ariel de Castro Alves, do Conanda, interpreta a medida como conservadora e acredita que sua implementação apenas evidencia a falta de políticas públicas consistentes voltadas para a infância e a juventude. “Não adianta tirar essas crianças das ruas se seus lares nem sempre são seguros. A maioria dos abusos e violências contra esses cidadãos são cometidos dentro de casa, pelos próprios familiares. Isso o toque de recolher não vai resolver”, enfatiza Ariel.

Movimento tenta barrar toque de recolher em Fortaleza

A Fundação da Criança e da Família Cidadã (Funci), em Fortaleza, no Ceará, lançou o manifesto “Toque de Acolher”, em protesto contra a adoção do “Toque de recolher”, proposto por um grupo de conselheiros tutelares. O assessor institucional da Fundação, Thiago Holanda, defende que a rua é um espaço de sociabilidade de crianças e adolescentes, portanto, um direito, e limitar o acesso a esse espaço público seria restringir esse direito. Segundo Thiago Holanda, o movimento do toque de acolher tem como proposta garantir os direitos de meninos e meninas em situação de rua. O movimento acredita que é preciso haver ações bem articuladas, com políticas públicas que levem em consideração os direitos estabelecidos pelo ECA e que tenham foco também na família, já que o próprio Estatuto preconiza que é dever do poder público juntamente com a sociedade e a família garantir os direitos de meninos e meninas

PSOL leva Sarney ao Conselho de Ética

Brasília – O P-SOL deve entrar hoje(30), ao meio-dia, com representação no Conselho de Ética do Senado contra o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP). Se aceita pelo colegiado, a investigação poderá resultar em processo de cassação do mandato do senador. O partido entrará também com representação contra o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), que já presidiu o Senado e renunciou ao cargo para não perder o mandato.

A representação contra Sarney será entregue pela ex-senadora e atual vereadora em Maceió, Heloísa Helena, que preside o P-SOL, ao lado dos parlamentares do partido: senador José Neri (PA) e deputados Ivan Valente (SP), Chico Alencar (RJ) e Luciana Genro (RS).

Ontem (29), o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), apresentou, individualmente, denúncia contra Sarney no Conselho de Ética. Entre as irregularidades apontadas pelo tucano, estão supostas facilidades concedidas por Sarney ao neto José Adriano Cordeiro Sarney para trabalhar com empréstimos consignados para servidores do Senado.

Quanto à representação contra Renan Calheiros, o líder do P-SOL na Câmara dos Deputados, Ivan Valente, informou que os parlamentares da legenda vão analisar a questão amanhã. “Se der tempo, entraremos também com a representação contra o senador Renan. É bem provável que entremos [com representação] contra ele também.”

(Foto: O líder do PSDB no senado, Arthur Virgílio, disse que as denúncias publicadas pela revista IstoÉ contra ele são uma forma de calá-lo – José Cruz/ABr)

Brasil retém embaixador de Honduras

Brasília – O governo brasileiro determinou que o embaixador do Brasil em Honduras, Brian Michael Fraser Neele, não retorne àquele país ao final de suas férias em razão da crise política que culminou com a expulsão, ontem (28), do presidente José Manuel Zelaya, exilado na Costa Rica. O embaixador está agora no Brasil, sem prazo para voltar a Honduras.

Zelaya foi detido por um grupo de militares, horas antes de o país iniciar um plebiscito sobre a possibilidade de incluir, nas eleições gerais de 29 de novembro, consulta sobre a instalação de uma assembleia para reformar a Constituição do país. A consulta pública foi considerada inconstitucional pelo Parlamento e pela Suprema Corte de Honduras e as Forças Armadas se recusaram a dar apoio logístico ao plebiscito.

Zelaya, então, destituiu o chefe do Estado Maior Conjunto das Forças Armadas, o general Romeo Vázquez, mas teve que voltar atrás por decisão da Suprema Corte. O presidente acabou detido por militares e expulso do país. Em seu lugar assumiu o chefe do Legislativo, Roberto Micheletti.

Em nota divulgada ontem pelo Itamaraty, o governo brasileiro condena de forma veemente a ação militar em Honduras, considerada um “atentado à democracia” e conclama que Zelaya retorne ao país e reassuma a Presidência imediatamente.

(Mylena Fiori - Agência Brasil)

Morremos Michael

Michael Jackson está morto e me parece que com ele vai também uma parte da alma da indústria cultural, esta do todo-dia. Meu pai lamentou, “morreu um preto”, apesar da pele translúcida dos últimos clipes. O vitiligo sempre esteve sob a suspeita de uma cafonice existencial. “Era possível?”, perguntei ao dermatologista, “daquele jeito não”, respondeu. Doutor e artista compartilham: é o jeito que não vale, a forma. O gravurista achou ridículo um ataque cardíaco, “que morte ridícula”. Sofremos um golpe.

Completam-se agora vinte e quatro horas de manchetes sucessivas. Desdobramentos do desdobramento anterior, volumes cadenciados, toques pré-editados. Emblemática: “Uma vida de fantasia e tragédia” – o cara não era cantor? O Los Angeles Times não menciona. Na chamada, no título, na gravata. Nada.

Beat It, Billie Jean, Thriller, sucessos nas paradas. Zapeando parei na Educativa, o Michael era vivo ainda, uns anos atrás. Um velho naquele tom marcha lenta da sabedoria etária dizia que os Estados Unidos não usavam mais porta-aviões, era muito caro. Mandavam o Michael, a Madonna. Duplinha. Mandavam o Adorno, o Horkheimer. Duplinha por minha conta.

Os sinais da exaustão ficaram óbvios. Tropecei neles ao sair de casa, na porta dos bares, nos corredores do discurso desdobrado. Cansamos o espetáculo, de tanto consumi-lo, incansavelmente, devorando cada epígrafe, letra por letra, semanticamente ignorantes, palavra por palavra, significações pressupostas, Susana Vieira foi traída por um homem cocainômano.

Michael Jackson está morto e me parece que com ele vai também uma parte da alma da indústria cultural, esta do todo-dia. É necessário guardar o cadáver ainda fresco embaixo da notícia. Há uma semana, talvez duas, li na internet, site de fofoca, “o sucessor é o Justin Timberlake”. É assim mesmo, a rotinização dos insultos, o processos produtivo das comparações compulsórias, newsmaking. Mal de jornalista, eu dou primeiro, depois vou embora, tarde demais, o próximo Michael não é de verdade, nem nunca será, antes de terminar o receptor estará a dez quarteirões de distância publicando seu ódio.

Passamos os últimos anos tirando a legitimidade de nossas escolhas. O público que se dane, a gente pensa quando bebe umas com os colegas, especialmente os comunistas e os reacionários, somos cartesianos nas definições que se resumem à boa composição das frases, de modo que se tenham mais alguns segundos de atenção para, no momento seguinte, sentir aquele frio na coluna da consciência nos chamando de imbecis. Foi sempre o Homer Simpson, espectador do Nacional, que mandou. Os gráficos da audiência sempre valeram mais, mas é sempre no cu do jornalista.

O caixão do Michael, tomara seja branco, é também um símbolo inconsumível de que todas estas palavras estão muito mal colocadas.

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