Os passageiros das cidades da região metropolitana de Curitiba pagam até metade da passagem equivalente a quilometragem percorrida pelos ônibus integrados. Quem mora, por exemplo, em Bocaíuva do Sul, na região Norte da capital, deveria pagar R$ 4,43 para chegar à Curitiba, uma distância de 41 quilômetros. A passagem, na verdade, custa R$ 2,70 porque a linha é integrada ao sistema de ônibus da capital. Ela é diferenciada, apesar de integrada, porque a passagem comum custa R$ 2,20. Quem mora e circula somente em Curitiba poderia pagar R$ 2,10 pela passagem, se não tivesse a integração de cidades da região metropolitana.
Que os passageiros da capital subsidiam a tarifa dos moradores da região metropolitana não é novidade, mas um estudo sobre o tema nunca havia sido divulgado anteriormente pela Urbanização de Curitiba, a Urbs, responsável pela gestão do sistema. A pesquisa “Estudos para tarifas de Grupos/Anéis de municípios em função das distâncias médias das viagens” foi apresentado hoje (5ª) pelo presidente da autarquia, Marcos Isfer, durante a audiência pública para discutir o transporte metropolitano na Assembléia Legislativa.
Pelos estudo, a lógica é: quem mora mais longe de Curitiba paga mais. Segundo o levantamento, haveriam seis anéis, cada um com cobrança de uma tarifa específica, conforme a distância percorrida para chegar à Curitiba.
No primeiro anel, ficaria apenas a capital. No segundo, a cidade de Pinhais, que fica na região Leste. No terceiro grupo, entrariam Almirante Tamandaré, Campo Magro e Colombo, que têm distância média de 20 quilômetros. Em seguida, entrariam as cidades de Campo Largo, Piraquara e São José dos Pinhais, em que os usuários precisam se deslocar cerca de 25 quilômetros.No quinto anel, Araúcaria Fazenda Rio Grande, Rio Branco do Sul e Itaperuçu. E no último grupo, a cidade de Bocaíuva do Sul.
Marcos Isfer disse que a pesquisa foi feita no início deste ano para deixar claro como o sistema funciona e descartou a possibilidade de implantar uma tarifa diferenciada para as cidades metropolitanas.
Já o presidente da Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba, a Comec, Alcendino Bittencourt, falou que o ideal seria a criação de um consórcio metropolitano, a exemplo do lixo, para administrar o sistema de transporte coletivo. Com isso, as determinações políticas e técnicas sairiam da alçada exclusiva de Curitiba e seriam compartilhadas por todas as cidades consorciadas.
Vale lembrar que deste 2006, ano da eleição para o Governo do Paraná, a prefeitura de Curitiba e o governo estadual estão distantes politicamente. O reflexo mais claro disso é a relação conflituosa entre Urbs, autarqui da prefeitura, e a Comec, órgão do Governo do Paraná.