Das poesias nascidas da minha ignorância em Inglês

Acabo de me pegar contando uma mentira. Nada de muito grave, apesar de a vítima ser minha mãe. Eu estava na casa dela, assistindo a um programa musical na tevê. Ela passou, parou para escutar e disse que gostou. Como, via de regra, nossas mães não gostam das nossas músicas – a não ser, é claro, naquele campo amável que reúne Cartola, Ray Coniff (uff!) e etceteras conhecidos – fiquei tentado ao proselitismo. A música era “Soldier of Fortune”, uma doce, amarga, terrível balada do Deep Purple que me puxou pelo pé desde a primeira vez que a ouvi, há muito tempo. Pois bem: legal, tal e coisa, resolvi “traduzir” a música. Não a letra, mas o sentido. Contei que “soldier of fortune” era algo como um mercenário, um “soldado da fortuna” – até então, tudo bem. E daí começou a distorção: falei que a música contava a história de um homem que durante muito tempo teve a chance de amar uma mulher e que, agora, estava ficando velho e percebendo a impropriedade de seus jogos de sedução e fuga. E que as canções de antigamente – agora, nada mais do que “ecos na distância” – já não a encantavam mais. Bonito, mas falso.

Traduzindo ao pé da letra, a mesma talvez falasse qualquer coisa assim, mas não era bem aquilo. Digamos que, ao ouvir a música e inspirado por ela, acabei projetando imagens poéticas minhas, minha angústia por, aos 30 anos, não ter resolvido praticamente nada desta vida – e de não me saber poeta, bardo ou qualquer coisa. “Now I feel I’m going older… And the songs that I have sung… Echo in the distance…” – esta parte, traduzida, sim, literal e cruelmente, indica mais ou menos o princípio do que estou falando.

Na realidade, a tradução literal de músicas, principalmente do inglês, se revela (pelo menos para mim) mais fria que a Groenlândia. Algumas vezes, talvez pela falta de inserção no contexto cultural ou lingüístico em que a música foi gerada, a coisa fica desligada, gélida. Um amigo que é professor de inglês disse certa vez – citando, segundo ele, um ditado anglo-saxão – que as traduções são como mulheres: se bonitas, infiéis; se fiéis, fatalmente pouco atraentes. Você pode até não concordar com a comparação, mas, para traduções, a coisa parece seguir este esquema.

Há, é claro, exceções magníficas, como as traduções feitas por Fernando Pessoa e Machado de Assis do poema “O Corvo”, de Edgar Allan Poe – que, além de transmitir exatamente o que quis dizer o atormentado mestre americano, ainda “refundiram a jóia” – ou a de “As Minas do Rei Salomão” por Eça de Queiroz, que melhorou o original de Henry Ridder Haggard (o mesmo do genial “She”).

Mas a coisa não fica apenas no campo acadêmico, tão gelado quanto a tristeza de ver que você chutou uma bola fora no campo da técnica. Na verdade, eu, pelo menos, evito correr atrás da literalidade e me guardo para a minha própria visão das coisas.

Para “Hallowed by thy the Name”, música do Iron Maiden sobre os últimos momentos de um condenado à morte, concebi uma imagem medieval, coisa de Inquisição Espanhola – algo meio como “O Poço e o Pêndulo”. O fato é que a música não passa nem perto disso e, ao perceber a diferença, fiquei decepcionado. Resultado: me refugiei em minha “letra” interior-anterior. Há alguns outros exemplos, que agora não me ocorrem.

É preciso confessar, ainda, certas “distorções históricas” cometidas em nome do desejo de louvar o heroísmo ou o caráter simbólico de certos personagens/episódios. Alexandre o Grande, por exemplo, sempre me fascinou. E, ainda que eu não saiba muito a respeito de sua vida, volta e meia me meto a contar detalhes interessantes de sua carreira, como o encontro dele com o filósofo Diógenes. Gosto de adivinhar (e disseminar), também, os pensamentos de Leônidas, rei espartano que, a partir do lema “Ficar e morrer”, conseguiu evitar o colapso da civilização helênica pelas mãos dos exércitos de Xerxes na trágica batalha das Termópilas.

Tudo bem. Por incrível que pareça, acabo achando justificativas histórico-culturais – e um bando de companheiros mentirosos – nos mitos e lendas das civilizações e também na própria literatura. A história de Noé, por exemplo, deriva de um mito mesopotâmico. É um tanto diferente, logo, “mentiroso” em relação ao original. Não que seja pior, ou menos respeitável, uma vez que funde a velha história com uma visão de mundo nova, de outra cultura.

No caso da literatura, o melhor exemplo é o das biografias: você já percebeu que figuras como Napoleão, Rodin ou Sócrates jamais iam ao banheiro ou tiravam meleca do nariz? E o que dizer de Jesus, Maomé ou Buda? Em outros casos, como na biografia de Mao-Tse-Tung (“A Vida Privada do Camarada Mao”), escrita por seu médico particular, Li Zishui, a coisa se inverte. Mao não era lá muito legal, mas há como provar que ele comia três ou quatro menininhas por dia, como garante o autor? No fundo, tudo parece meio mentiroso – inclusive a tradução dos próprios sentimentos. Será, por exemplo, que eu estou colocando no papel tudo o que meu cérebro está processando? Tente contar um sonho para entender o que estou dizendo.

No fim, tudo se resume a mentira e poesia. Talvez, diante da segunda, a primeira mereça perdão. Talvez não, não há como mensurar, a menos, é claro, quando se trata de traduzir a receita da aspirina ou de qualquer texto, literário ou não, que deva ser apresentado em sua forma literal. São as mulheres feias, fiéis e necessárias. Por mim, continuo me metendo com as belas e infiéis, inventadas pelo meu próprio cérebro.

(*) – esse texto foi publicado originalmente em 2001.

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Ministério Público abre ação contra Pais adotivos que devolveram criança

adocao1O Ministério Público Estadual de Minas Gerais propôs uma ação civil pública contra uma família de Uberlândia que devolveu uma menina de 8 anos, adotada por eles, ao Juizado. No dia 31 de janeiro de 2008, o casal deu entrada no pedido de adoção, alegando que já conhecia a criança e havia se encontrado com ela semanalmente por um período de seis meses. A guarda provisória foi confirmada no dia 1.º de fevereiro. Na audiência realizada no dia 29 de setembro, entretanto, os pais adotivos devolveram a criança, sem que fosse apresentada nenhuma justificativa.

A devolução de crianças e adolescentes pelas famílias que as adotam é uma realidade mais comum do que se pensa, embora a adoção seja um procedimento irrevogável perante a Justiça.

IR – restituição sai no dia 15

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Quem declarou Imposto de Renda e esta à espera da restituição pode ir se preparando.A Receita Federal divulgou as datas para liberação dos sete lotes de restituição do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF) referente à declaração de 2009, ano-base 2008.
O primeiro lote será liberado já no próximo dia 15, e o último, no dia 15 de dezembro. Os contribuintes com mais de 60 anos terão prioridade no recebimento do dinheiro, conforme previsto no Estatuto do Idoso. A devolução seguirá a ordem de entrega da declaração.

Para os demais contribuintes, a Receita informou que receberão a restituição primeiro aqueles que apresentaram o documento via internet. Na sequência, as pessoas que declararam os rendimentos por disquete e, por fim, os que entregaram formulário nas agências bancárias e dos Correios. Os valores das restituições serão corrigidos pela taxa básica de juros (Selic) do período.

A Receita recebeu neste ano 25,56 milhões de declarações dentro do prazo, que terminou no dia 30 de abril.
O número superou as expectativas da Receita Federal. As pessoas que perderam o prazo devem pagar uma multa mínima de R$ 165,74. Em 2008, a Receita devolveu R$ 9,5 bilhões em restituição para 8,9 milhões de contribuintes. A estimativa deste ano ainda não foi divulgada.

Recebe primeiro as restituições quem enviou mais cedo a declaração, mas somente se o documento estiver sem erros ou omissões. Caso os números não estejam em conformidade com o que declarou a fonte pagadora, os contribuintes podem cair na malha fina do Leão. Para monitorar a consulta aos lotes, os contribuintes devem ficar atentos ao site da Receita, no endereço www.receita.fazenda. gov.br.

A Receita também anunciou que está criando mais uma ferramenta online para facilitar a comunicação com os contribuintes brasileiros. Está em fase final de construção um serviço que permite aos usuários que tenham pendências com o fisco fazer o agendamento eletrônico para regularizar a situação.
Eles poderão escolher hora, data e local do atendimento para sair da malha fina.

Filhos… melhor não tê-los.

Ter um filho é como saltar de um avião sem pára-quedas, com o cuidado de criá-lo para não ser um bocó ou FDP.

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Ribas Carli renuncia ao mandato de deputado

O deputado estadual Fernando Ribas Carli Filho, do PSB, acaba de renunciar ao cargo de de deputado estadual. A informação foi confirmada pelo presidente da Assembleia, deputado Nelson Justus.Com a renúncia, Ribas Carli Filho perde a imunidade parlamentar e passa a responder ao processo do acidente que provocou a morte de dois jovens, na Justiça Comum.

O documento foi entregue pelo seu advogado, Roberto Brzezinski. Carli Filho encontra-se internado para tratamento de saúde no Hospital Albert Einstein, na cidade de São Paulo, desde o último dia 10.

Nesta sexta-feira, encerrava-se o prazo para a apresentação da defesa de Carli Filho junto à Corregedoria-Geral da Assembléia, na sindicância aberta pelo corregedor-geral, deputado Luiz Accorsi (PSDB), e pela Mesa Executiva, no último dia 18 de maio.

No ofício ao presidente Nelson Justus, Carli Filho comunica:

“Sr. Deputado Nelson Justus, digníssimo presidente da Assembléia Legislativa do Paraná e Colenda Assembléia Legislativa, renuncio perante Vossa Excelência ao mandato que o povo paranaense me outorgou nas eleições de 2006 e nas quais tive a honrosa escolha de ser o parlamentar mais jovem da atual legislatura.”

Ao tempo em que afirma que o destino reservou-lhe “a trágica surpresa” de se envolver, “sem minha vontade direta ou indireta, no acidente que causou a morte de duas pessoas, jovens como eu”, Carli Filho transmite “a todos os seus familiares e amigos o meu sentimento de solidariedade espiritual” e informa que aguardará o processo e julgamento “sem prerrogativas funcionais ou privilégios de qualquer ordem para receber, como cidadão comum, a sentença que as circunstâncias do fato e a sensibilidade da Justiça determinarem”.

Depois de receber o ofício de Carli Filho, o presidente Nelson Justus afirmou que lerá o documento de renúncia na sessão plenária de segunda-feira e convocará o suplente para assumir, na próxima semana, o mandato de deputado estadual, que se estende até 31 de janeiro de 2011.

“Cabe a mim, como presidente da Assembleia, cumprir com o que determina a lei e, como homem e pai de família, eu lamento profundamente essa tragédia que levou as vidas de dois jovens e deixou marcas profundas e permanentes em três famílias, às quais ofereço, uma vez mais, a minha solidariedade pessoal e também a da instituição que presido”, disse Nelson Justus.

“A Assembléia Legislativa cumpriu e seguirá cumprindo, na condição de Poder que representa o povo do Paraná, com todas as suas obrigações constitucionais, regimentais e morais”, lembrou Justus.

O corregedor-geral, deputado Luiz Accorsi, informou que, diante da renúncia, a sindicância que conduzia para apurar eventual quebra de decoro parlamentar de Fernando Ribas Carli Filho fica extinta por perda de objeto.

Nascido em Guarapuava há 26 anos, Fernando Ribas Carli Filho foi eleito em 2006 para o mandato de deputado estadual com 46.686 votos, dos quais 37.386 na sua cidade natal. Acadêmico de Publicidade e Propaganda, é filho de Fernando Ribas Carli, ex-deputado estadual, ex-deputado federal e atual prefeito de Guarapuava, em cumprimento ao seu terceiro mandato.

Ironman em Floripa

A capital catarinense recebe neste domingo uma prova do Ironman Brasil.

Sérgio Brandão conta um pouco da rotina desses super homens e incríveis mulheres.

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Mais detalhes na página do evento. Clique aqui.

Ói, Ói o trem…

Lá vem o trem? Será?

Em seu comentário de hoje, Guilherme Wojciechowski, editor do blog Sopa Brasiguaia, relata a espera pela expansão da ferrovia ao extremo oeste do estado e à fronteira com o Paraguai, espera que, de tão longa, já parece estar perdendo, até mesmo, o bonde da história.

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Olhar decantado, afeto por Curitiba

Peço licença, nesta sexta-feira, para falar sobre Curitiba. Se você nunca veio até aqui, vale uma viagem. Pelo frio, pelos parques e pelas pessoas. E pelos indícios de outras eras, que podem ser detectados ao se dobrar a esquina, olhar para as fachadas ou mesmo para o chão. Não somos, evidentemente, Salvador, Paraty ou Tiradentes, mas também guardamos encantos coloniais, ecléticos e neogóticos.

Pensando bem, Curitiba é só um pretexto para tratar de uma abordagem um pouco diferente do passado. Tal cidade é, apenas e tão somente, minha única experiência urbana totalizante. E é justamente por isso que ela me permite detectar as priscas eras a partir de micro-elementos. Por exemplo: outro dia, ao deixar meu carro na Rua São Francisco, no Centro Histórico, para almoçar, percebi uma argola de ferro fundido firmemente pregada, por um grampo, ao granito do meio-fio. Depois de muito refletir, cheguei à surpreendente conclusão de que ali estava um afloramento antigo. De fato, a argola no meio-fio ficava justamente na frente do prédio que, na passagem dos séculos XIX para XX, abrigava a maior empresa funerária da cidade. É bem possível, concluí, que aquele aro de ferro tenha sido usado para ancorar os cavalos da elaborada carruagem que, por aqueles tempos, transportava os mortos ilustres em cortejos à melhor moda romana.

Outro exemplo é o das tampas de bueiros. No Centro de Curitiba, é possível encontrar essas bolachas de ferro fundido datadas, por exemplo, de 1922 e 1930, períodos de passagem de cidade pequena a média. E o que dizer dos campanários, das retas telhas francesas e mesmo das antigas inscrições de casas comerciais – em polonês, alemão ou português antigo – que vez por outra surgem em meio à constante reforma urbana? Não sei se você tem tempo ou disposição para essas observações, mas o fato é que eu tenho. Meu olhar decantado, concluo, está na raiz da estima por Curitiba. Bom dia!

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A Copa vem pra cá. Agora, Curitiba quer mais

Curitiba está confirmada como uma das sedes brasileiras para a Copa 2014.

O anúncio oficial só será feito no domingo, às 15h30, nas Bahamas, mas em um almoço na capital nesta quinta-feira, deu pra sentir, nas palavras do prefeito Beto Richa, que a primeira etapa foi cumprida: trazer a Copa pra cá.

No almoço, que reuniu toda a imprensa esportiva local, Beto (que disse que atleticana mesmo é a esposa, Fernanda) falou sobre um encontro com Ricardo Teixeira, presidente da CBF, que teria lhe dito para “nem se preocupar em ir às Bahamas, pois tudo estava certo”.

Bem, inimaginável a idéia da capital paranaense ficar de fora dessa.

Mas, pelo que eu pude apurar, os objetivos agora passam a ser outros.

Curitiba vai brigar para trazer o centro de imprensa para cá. O CI é o local onde todos os jornalistas que cobrem a Copa ficam centralizados. Serve para transmissão de jogos e estúdios diversos, numa visão simplista. A idéia é ótima.

A prefeitura, o Estado e a comissão num todo também pretende brigar por uma semifinal por aqui. Mais imporvável, porém não impossível. Certo é que, até as quartas de final, Curitiba deve ainda seguir recebendo jogos.

Particularmente, acho genial a idéia do centro de imprensa vir pra cá. Agora, é torcer por mais essa etapa.

UPDATE: A foto é do prefeito, Beto Richa, com Mário Celso Cunha Jr, filho do vereador. Está no site oficial do vereador e apenas ilustra a relação do prefeito com o futebol – no caso, o Atlético.

Multas? Hã, hã….

Este é o post de estréia da coluna Entretenimento Político.

Todos ficamos revoltados ao descobrir que o deputado paranaense Fernando Ribas Carli Filho (PSB) tinha 30 multas, mais de 130 pontos na carteira e dirigia sem a habilitação há quase um ano. Isso depois dele se envolver em um acidente e matar duas pessoas.

Agora, os deputados que vão julgá-lo no Conselho de Ética e seus colegas de Assembléia não são bons exemplos. Ou são, deputado Nelson Justus?

aúdio

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