A indústria da construção civil brasileira é um dos setores da economia que maior impacto gera sobre o ambiente natural. Estudos demonstram que o setor consome algo em torno de 50 a 75% dos recursos naturais disponíveis no planeta, sendo também grande gerador de resíduos, consumo de energia e emissões atmosféricas. Somente a indústria do cimento é apontada como responsável por 7% a 10% das emissões globais de dióxido de carbono (CO2). Nas cidades européias as emissões de CO2 da indústria da construção correspondem aproximadamente a 30% do total das emissões. Estima-se que para estabilizar as mudanças climáticas, haveria de se introduzir cortes de cerca de 60% em todas as emissões de CO2.
Algumas iniciativas na construção de casas para reduzir as emissões de CO2 vêm acontecendo em vários países. Na Europa, muitas delas se concentram no pós-uso, onde a preocupação maior é torná-las mais eficientes quanto ao uso de energia para aquecimento, uma vez que grande parte desta energia é gerada por termelétricas. No Reino Unido, por exemplo, 52% de emissões de CO2 são provenientes das construções e uso das edificações. Para a Comissão sobre Poluição Ambiental deste país isto significa usar 60% menos energia para se manter uma casa. Um projeto executado de uma ecohouse na cidade de Oxford demonstrou que a mesma emite apenas 140 kg de CO2 por ano, enquanto que outras, de tamanhos similares e construídas no padrão convencional, podem produzir cerca de 6.500 kg.
No Brasil, há poucos estudos referes às emissões provenientes do setor de produção de materiais de construção e operação/funcionamento das edificações. Tendo em vista que em 2012 o país deverá se adequar a um novo protocolo mundial para redução de emissão de gases do Efeito Estufa, juntamente com países como China, México e Índia, tudo indica que caminhamos na contramão da história.
Em recente dissertação de mestrado defendida pelo Eng. Civil Theodozio Stachera, no Programa de Mestrado em Tecnologia – PPGTE, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná – UTFPR, que analisou a casa de interesse social de 40,50m2, construída pela Companhia de Habitação do Paraná – Cohapar, foi demonstrado que esta representa a emissão de cerca de 9.8 toneladas de CO2, relacionados a produção de materiais convencionais utilizados na sua construção. Tendo como base algumas metodologias que quantificaram emissões de CO2 relacionadas a produção do cimento, cal, aço, pedra brita, areia e material cerâmico, como o tijolo e a telha, utilizados comumente nas casas populares, foi possível afirmar que em único empreendimento em um município da região metropolitana de Curitiba, iniciado em 2009, através do Programa de Aceleração do Crescimento – PAC, onde 803 novas casas serão construídas pela Cohapar, quase 8.000 ton de CO2 serão emitidas para a atmosfera. Isto sem considerar as emissões relativas ao transporte destes materiais do seu local de produção até os pontos de venda e destes até as obras.
Neste cenário é preocupante o anúncio feito pela Cohapar que prevê a construção de 14 mil casas no ano de 2009 no estado do Paraná, assim como o do Presidente Lula, da construção de um milhão de novas casas para a população de baixa renda, financiados principalmente pelo PAC. Podemos assim concluir, que somente no Paraná, a construção de casas populares será responsável pela emissão de cerca de 137.200 ton de CO2, sendo que no Brasil como um todo, mais de 9 milhões de ton de CO2 poderão emitidas com apoio do PAC. Considerando que obras de infraestrutura, escolas, prédios públicos, hospitais, entre outros, serão todas também construídos com materiais de construção convencionais, além das novas termelétricas que representarão mais emissão de CO2 quando em funcionamento, se pode sugerir que o PAC seja rebatizado para Programa de Aceleração do Carbono. Lembrando que as emissões de gás carbônico na economia brasileira cresceram 45% entre 1994 e 2005 (excluído o desmatamento, que responde por cerca de 75% das emissões brasileiras e que torna o Brasil o quinto maior poluidor global), vemos que o exemplo que deveria ser dado com gasto do dinheiro público em obras ecologicamente inteligente, vão sair pelas chaminés em forma de carbono.
Parabéns pela matéria.
Sugiro a vcs que façam contato com o dono da Embaforte ele atualmente produz embalagens recicladas para Volvo e Renault e em brava produzirá casas ecológicas. O nome dele é Humberto Cabral será um ótimo entrevistado.
At.
Leandro Barancelli
Sugiro que vocês façam a locução desta matéria (e de outras que estejam somente escritas, nos moldes da sessão cultura). O assunto é extenso, complicado e importante por isso ficará mais fácil de entender se falado. Parabéns para a equipe.Estarei conectada.
Acho que o questionamento é importantíssimo, assim criamos uma massa que possam opinar a respeito. Mas sinceramente, o que senti, lendo o que vocês escreveram, me lembra a fabula do velho, o rapaz e o burro… Sim o Lula está sempre errado. Se for elogiado, he is de man, o Obama estava brincando. Quanto ao CO2, pensem nestas milhões de famílias que serão alojadas, e nas condiçoes que elas moravam, sem saneamento, sem recolhimento de lixo e sem isto, sem aquilo. Imagine se elas estivessem queimando seus resíduos… Qual seria o numero desta emissão? Mas o interessante é que não apresentaram solução alguma para os seus questionamentos. Temos que fazer mais que escrever teses. E mais, coloco essa defesa, mesmo sendo um ambientalista, que trabalha com a Bioconstrução de moradias sustentaveis. Promovemos o primeiro curso de EcoConstrução no ano de 2001, com está temática. Temos que fazer acontecer, construir mais prédios que teses!!!