Água… vida pelo ralo abaixo!

Ao analisar minha conta de água deste mês, constatando que consumi 7 m3 (e ter pago por 10!) em uma casa de 280 m2, percebo que valeu o investimento em um sistema de coleta de água de chuva que uso no jardim e para lavar calçadas e o carro ocasionalmente, nos redutores de torneira, nos vasos sanitários com bacias acopladas e de não ter comprado um lava louças!. Além da maneira como controlamos o consumo com algumas medidas simples, como por exemplo, ensaboar toda a louça e enxaguar uma única vez, não fazer lavagens na máquina de lavar com pouca roupa, não usar mangueira como vassoura e controlar tempo de banho…principalmente do filho! Hábitos de bom senso que já fazem parte de nossa rotina!

O mesmo bom senso não pode ser dito daqueles que participaram do Fórum Mundial da Água (FMA), organizado pela ONU e que encerrou no dia internacional da água, dia 22 de março, em Istambul. Este entra para a história como mais uma reunião de líderes mundiais onde os resultados escoaram para o Estreito de Bósforo, certamente poluído! De 150 países participantes, somente um grupo de 25 países críticos decidiu assinar uma declaração alternativa na qual, como primeiro ponto, se reconhece “o acesso à água e ao saneamento como um direito humano”, e os signatários se comprometem “a realizar as ações necessárias para a implementação progressiva deste direito”.

Para a decepção de vários países da América Latina, como Bolívia, Equador, Cuba e Uruguai, além de Suíça e Espanha, que instigaram o debate, o Brasil, alinhado com os Estados Unidos e o restante dos países ficou de fora desta posição mais sensata. Nada de anormal aqui, tendo em vista as conexões diretas dos interesses privados dos que controlam o abastecimento e tratamento de água e administrações públicas neste país! Se ganha muito dinheiro com estes serviços e ninguém quer colocar a mão neste ralo! Em geral, é o que se passa na maioria dos países mundo afora. A água é uma mercadoria a ser vendida, deve gerar lucro para empresas e seus acionistas. O lado humanitário da sua distribuição entupiu nos canais do capitalismo!

Enquanto isto mais de um bilhão de pessoas não tem acesso a água. A diarréia causada pela água contaminada mata 5 mil crianças com menos de cinco anos a cada dia. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) contidos no relatório indicam que o “acesso a um melhor saneamento diminuiria em 32% as doenças diarréicas”.

Para completar o quadro, as conseqüências das mudanças climáticas sobre a água devido ao aquecimento global são catastróficas. A seca australiana, que recentemente provocou a pior onda de incêndios florestais na história do país, matando mais de 100 pessoas, é um claro exemplo disto. Na África, até 2020 entre 75 e 250 milhões de pessoas devem ser expostas a complicações hídricas decorrentes da mudança climática. Em alguns países, cultivos abastecidos pela água da chuva podem ter redução de 50 por cento na sua produtividade. Na América Latina, a produtividade de algumas lavouras importantes irá diminuir, enquanto a desaparição de geleiras andinas afetará a disponibilidade de água para o consumo humano. Enfim, as simulações climáticas para o século 21 antevêem aumento das chuvas em latitudes elevadas e em áreas tropicais, e redução das precipitações em regiões subtropicais. Quem já não vê isto acontecendo em todo o Brasil?

A propósito, quanto tempo voce demorou no banho hoje? Lavaste seu carro com mangueira? Adiou aquela instalação de coleta de água de chuva? Comeu carne a semana toda? A saber, o maior consumo de água está na irrigação de monoculturas, principalmente de soja e milho, que por sua vez alimentam bois, vacas e porcos! Chama-se isto de água virtual, que é o volume de água demandada para a produção de uma determinada commodity. A produção de um quilograma de bife bovino pode representa o consumo de até 43 mil litros de água! A saber, em 2005, o Brasil exportou cerca de 34 bilhões de m3 de água virtual através da carne! Isto representa mais de 8 vezes o consumo diário de água da cidade de São Paulo. Números para se pensar quando se for fazer aquele churrasquinho no final de semana!

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One Response to “Água… vida pelo ralo abaixo!”

  1. Luis Patricio disse:

    Boas iniciativas. Também coleto água da chuva e tenho descarga econômica que uso pouco pois a urina diluída é um ótimo fertilizante e não precisa ser jogada fora.

    Outra dica é: ao lavar roupa na máquina dá pra reutilizar a água do último enxague (que é mais limpa) no primeiro molho da próxima vez.

    Agora fiquei na dúvida com o lava louça. Eu estava pensando em comprar um. Sempre achei que ele consumia menos água do que lavar na mão …

    Cada vez mais acredito que a mudança mais efetiva é a mudança pessoal, feito numa escala humana.

    Esperar por líderes e empresários já se mostrou infrutífero e talvez sejamos mais persuasivos se cada vez mais de nós dermos o exemplo.

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